Sombra do Nubank e a Sombra do Conflito de Interesses na Radiodifusão
“Entre o acobertamento das faturas de R$ 427 milhões da ‘Turma do KN’ e o silêncio sobre a simbiose entre ex-dirigentes do Banco Central e o Nubank — do qual é sócia —, a TV Globo abandona o dever da concessão pública para proteger o império do capital financeiro.”
Até onde vai a fronteira entre a “linha editorial” de um grupo de mídia e o favorecimento explícito aos interesses econômicos de seus sócios e aliados no Judiciário? A postura da TV Globo diante das estarrecedoras revelações do caso Banco Master e do ecossistema das fintechs deixou de ser um enigma jornalístico para se tornar uma questão de estrita responsabilidade legal. Ao omitir do público o escândalo do recebimento de R$ 5 milhões do dinheiro roubado por Vorcaro, por parte do Instituto de André Mendonça depois do encontro secreto na sede de seu instituto-empresa, causa estranhamento; além disso a empresa foca na destruição de Alexandre de Moraes e não diz que este Ministro não participou de qualquer decisão sobre casos relacionados ao Master ou a Daniel Vorcaro, enquanto se finge de cega para os R$ 25 milhões em contratos sem licitação com prefeituras bolsonarista, recebidos por Mendonça através de sua consultoria de qualquer coisa – na verdade o instituto vendia proximidade com o Ministro do STF. A cegueira se acentua quando nenhum de seus noticiários ou repórter falam sobre a “Turma do KN” (envolvendo o contrato de R$ 427 milhões de Nunes Marques, estadias luxuosas e protituta pagas com dinheiro roubado de Vorcaro para, ao que tudo indica, fazer a rachadona propiciada com a manobra de R$ 8,5 bilhões, realizada por Kássio Nunes Marques no STF, votando quando claramente estaria totalmente impedido); ao mesmo tempo em que blinda os movimentos de ex-dirigentes do Banco Central que migraram para o Nubank — instituição na qual a Globo detém participação acionária e parcerias milionárias —, a emissora rasga os compromissos fundamentais que condicionam a sua outorga de TV aberta.
1. A Omissão Seletiva: Por Que Esconder a “Turma do KN” e as Mofadinhas do STF?
Os fatos que vieram à tona sobre a atuação do ministro Kassio Nunes Marques e do relator André Mendonça no escândalo do Banco Master são estarrecedores sob qualquer métrica republicana. Estamos falando de:
Um contrato de R$ 427 milhões em honorários de êxito atrelado ao entorno de gabinetes no STF;
O favorecimento de uma cartada de R$ 8,5 bilhões em precatórios após um “passe de mágica” regimental;
Mimos de altíssimo luxo no Hotel Fasano, camarotes e repasses mensais operados por investigados.
Ainda assim, nos telejornais da maior emissora do país, a cobertura sobre o tema foi estrangulada, suavizada ou tratada com um pudor inédito. A pergunta que se impõe é direta e incisiva: haveria favorecimento ou trocas veladas de influência entre o conglomerado de mídia e decisões proferidas no âmbito dos tribunais superiores que atenderam aos seus próprios interesses corporativos? O silêncio estridente do Projac diante de abusos explícitos do Judiciário levanta a inevitável suspeita de uma blindagem calculada para proteger um sistema do qual o próprio grupo de comunicação se beneficia.
2. O Triângulo de Ouro: Banco Central, Nubank e os Negócios da Vênus
A teia de interesses ganha contornos ainda mais preocupantes quando se analisa a simbiose entre o ambiente regulatório e o mercado financeiro digital. O trânsito de ex-presidentes e diretores do Banco Central para posições de comando e conselho em fintechs como o Nubank é a porta giratória mais rentável do capitalismo brasileiro.
Decisões regulatórias tomadas no âmbito do BC ao longo dos últimos anos criaram o ecossistema perfeito para a explosão do Nubank — empresa em que o Grupo Globo figura como investidor acionário e parceiro estratégico de mídia. Enquanto o Banco Central aplicava regras rígidas ao sistema tradicional, abriam-se avenidas de flexibilização para as fintechs.
Por que a Globo se nega a investigar com o devido rigor os potenciais conflitos de interesse entre ex-autoridades do Banco Central e a gigante digital de que é sócia?
Quando a emissora que detém a maior concessão pública de comunicação do país se torna sócia dos entes que deveriam ser fiscalizados pelo jornalismo, a isenção vira poeira. Proteger o Nubank e as decisões do BC que o favoreceram passa a ser, na prática, proteger o próprio balanço patrimonial da Família Marinho.
3. A Fragilidade da Concessão: A Fatura da Traição Editorial
A Constituição Federal de 1988 é taxativa: o sinal de televisão aberta é um bem público outorgado pelo Estado (Artigo 221, I e IV da CF), condicionado ao dever de prestar informação verdadeira, isenta e de relevante valor social. O Código Brasileiro de Telecomunicações (Lei nº 4.117/1962, Art. 53) tipifica como abuso do direito de outorga a supressão deliberada de fatos de interesse público para favorecer interesses econômicos privados.
Ao adotar uma linha editorial que blinda suspeitos de colarinho branco no STF, esconde escândalos no Banco Central e protege os negócios digitais em que tem participação financeira, o Grupo Globo comete um desvio de finalidade sistemático.
A emissora parece não ter aprendido nada com o passado recente. Quando aceitou ser linha de transmissão dos abusos da Lava Jato, quase viu seu negócio ruir. Salva pelo recompromisso temporário com a institucionalidade, a Vênus Platinada volta a ceder à tentação de agir como partido político e balcão do mercado financeiro.
Se a extrema-direita ou o arbítrio institucional que a emissora hoje acoberta voltarem a se consolidar, a cassação da sua concessão não será uma ameaça abstrata — será um processo juridicamente fundamentado e politicamente inevitável. E, após trair o público e sonegar a verdade em nome do lucro de seus parceiros bancários, a Globo descobrirá que não restou ninguém na sociedade civil disposto a defendê-la.
PERGUNTAS GARRAFAIS PARA A SOCIEDADE BRASILEIRA:
A TV GLOBO USA A CONCESSÃO PÚBLICA PARA PROTEGER SEUS PRÓPRIOS INVESTIMENTOS NO MERCADO FINANCEIRO?
É LEGALMENTE POSSÍVEL A ABERTURA DE PROCESSO DE CASSAÇÃO DA CONCESSÃO DA GLOBO POR OMISSÃO DE ESCÂNDALOS DO JUDICIÁRIO E DO SISTEMA BANCÁRIO?
A resposta jurídica é SIM. O descumprimento da função social da informação e o uso do sinal de TV aberta para manobras de acobertamento comercial configuram justa causa para a não-renovação da outorga pelo Ministério das Comunicações e pelo Congresso Nacional.
“Novas revelações da Polícia Federal expõem um contrato de quase meio bilhão de reais vinculado ao entorno de Kassio Nunes Marques para destravar precatórios bilionários de Vorcaro — tudo isso embalado por diárias no Fasano por conta do banqueiro, pagamento de prostituta e colônia de férias em mansão paga ao apadrinhado político de Jair Bolsonaro.”
Sessão da Segunda Turma do STF – 01/10/2024 – Ministro Nunes Marques durante sessão da Segunda Turma. – Foto: Gustavo Moreno/STF
As revelações trazidas a público pela Polícia Federal transformaram o que parecia um escândalo grave de favorecimento em uma das maiores negociatas institucionais da história do Supremo Tribunal Federal. O julgamento dos precatórios de R$ 8,5 bilhões de interesse do Banco Master não envolveu apenas retórica jurídica: o pano de fundo era um contrato secreto de R$ 427 milhões (quase meio bilhão de reais em honorários de êxito) voltado à chamada “Turma do KN” — abreviação explícita nas mensagens do banqueiro Daniel Vorcaro para se referir ao entorno do ministro Kassio Nunes Marques. Indicado ao STF por Jair Bolsonaro para cumprir missões de lealdade cega, o magistrado deu uma cambalhota regimental no momento exato em que o bolsonarismo e o esquema Master mais precisavam do seu voto.
1. A Matemática do Meio Bilhão: Honorários e a “Turma do KN”
Documentos apreendidos pela PF apontam que o Banco Master firmou um contrato de honorários de êxito no valor de R$ 427 milhões (equivalente a 5% líquidos do bolo de R$ 8,5 bilhões em precatórios das usinas de açúcar e álcool). O acerto previa a contratação do escritório associado a aliados próximos do ministro e dava direito a receber os valores diretamente da União, inclusive inscrevendo precatórios em nome próprio.
Nas trocas de mensagens no celular de Vorcaro, a facilidade de acesso ao gabinete é descrita sem pudores como a ação da “Turma do KN”. Pedidos de reservas de luxo no Hotel Fasano de São Paulo e camarotes na Fórmula 1 e no Carnaval do Rio eram despachados por assessores e atendidos prontamente pelo banqueiro com um simples “Pode botar na minha conta”.
2. O Mágico “Erro do Sistema” e o Voto de Desempate
A cronologia da virada no julgamento da Segunda Turma do STF é o retrato da afronta ao devido processo legal:
Julgamento Empatado: A causa de R$ 8,5 bilhões pendia em 2 a 2. Nunes Marques figurava formalmente como impedido por ter atuar no caso quando era vice-presidente do TRF-1.
A Retificação Conveniente: Misteriosamente, Nunes Marques alegou um “erro material de cadastramento de sua assessoria”, revogou seu próprio impedimento e declarou-se apto a votar.
A Vitórias dos 3 a 2: Em 1º de outubro, o ministro proferiu o voto decisivo que garantiu a vitória do Banco Master contra os cofres públicos.
“Dominado Aqui”: Quatro minutos após o encerramento da sessão, o diretor jurídico do Master comemorou o resultado enviando a Vorcaro o contato do filho de Nunes Marques (beneficiário de repasses mensais via empresas de consultoria) com a mensagem textual: “Ganhamos alcidia […] Dominado aqui”.
3. A Embricação com o Bolsonarismo: A Indicação que Venceu a Ética
Não é possível dissociar a conduta de Kassio Nunes Marques do projeto político que o colocou na Suprema Corte. Escolhido a dedo por Jair Bolsonaro sob a promessa de ser o “primeiro ministro 100% alinhado”, Nunes Marques retribui a indicação operando como garantidor das engrenagens financeiras do bolsonarismo.
As apurações da PF revelam que as conexões entre Vorcaro, Flávio Bolsonaro e o próprio ex-presidente envolvem jantares secretos e o fluxo de recursos que irrigou estruturas jurídicas e políticas ligadas ao clã. Do balcão da “rachadinha” chegamos à era do “contrato de R$ 427 milhões”, onde a toga do STF é usada para carimbar o saque de bilhões do Tesouro Nacional para abastecer a máquina de poder da extrema-direita.
PERGUNTAS GARRAFAIS À IMPRENSA E AO CONGRESSO:
POR QUE A TV GLOBO SEGUE EM SILÊNCIO EDITORIAL DIANTE DO CONTRATO DE R$ 427 MILHÕES DA “TURMA DO KN”?
É POSSÍVEL A CASSAÇÃO DA CONCESSÃO PÚBLICA DA GLOBO POR ESSE ACOBERTAMENTO?
A resposta jurídica é um categórico SIM.
A sonegação deliberada de informações de alto interesse público — omitindo o contrato de R$ 427 milhões, os mimos no Fasano e a manobra de R$ 8,5 bilhões do ministro indicado por Bolsonaro — representa violação frontal ao Artigo 221 da Constituição Federal e ao Artigo 53, alínea ‘g’, do Código Brasileiro de Telecomunicações. A outorga de televisão aberta é uma concessão pública delegada que exige imparcialidade e compromisso com a verdade. Usar a grade de jornalismo para blindar juízes suspeitos e manipular o debate eleitoral constitui desvio de finalidade passível de processo de não-renovação e cassação da concessão pública perante o Ministério das Comunicações e o Congresso Nacional.
📌 LEIA TAMBÉM AS OUTRAS MATÉRIAS DA SÉRIE:
Reportagem 1:“A Ilusão das Telas Capturadas: Como a Violação da Cadeia de Custódia e a Militância Pericial Invalidam as Ilações Contra o STF no Caso Master” — Entenda por que os laudos e vazamentos seletivos promovidos por André Mendonça não possuem validade jurídica.
Reportagem 2:“A Concessão em Xeque: Como a Omissão Editorial da Globo no Caso Banco Master Viola a Lei e Sela Sua Própria Ruína Política” — A análise detalhada da legislação de radiodifusão e o risco reputacional e legal assumido pelos Marinho.
ERRATA? NÃO, PREMONIÇÃO: A CONTA DE MENDONÇA QUE NÃO FECHA NEM COM MILAGRE
Na edição do último dia 15 de setembro, este CORREIO NACIONAL publicou uma reportagem apontando que a súbita timidez do ministro André Mendonça em escancarar os sigilos telefônicos de Daniel Vorcaro guardava relação direta com dinheiros milionários irrigando o seu ecossistema. Na ocasião, a claque de gabinetes e os defensores da retórica da “imparcialidade” vociferaram contra a nossa apuração.
Vimos a público hoje, portanto, para prestar o nosso mais sincero pedido de desculpas… por termos sido econômicos.
A realidade, sempre caprichosa em Brasília, provou que a nossa reportagem não errou — apenas ficou aquém do refinamento do negócio. Veio à luz a confirmação de que o ministro recebeu a bagatela de R$ 5 milhões vinda diretamente das mãos de um sócio do próprio Vorcaro. A transação, que nasceu sob a roupagem de uma aprazível sociedade comercial entre o magistrado e o operador financeiro, passou por uma mágica metamorfose jurídica e foi subitamente rebatizada de “empréstimo pessoal”.
Um empréstimo com taxas genuinamente bolsonarianas de juros e condições de pagamento que fariam qualquer banco de varejo chorar de inveja: até o presente momento, o nobre ministro quitou a impressionante marca de pouco mais de 5% do total do saldo.
Diante de tamanha generosidade privada, o CORREIO NACIONAL se vê na obrigação de lançar ao leitor a única pergunta que a liturgia da Corte insiste em não fazer: não fosse a toga no ombro e a cadeira no STF, haveria na praça algum ser humano de boa alma disposto a entregar R$ 5 milhões a perder de vista para André Mendonça?
A benevolência, contudo, não para na pessoa física. A matemática do terrivelmente bem-sucedido magistrado estende-se ao seu antigo instituto — aquele do qual ele era proprietário até outro dia. Trata-se do mesmo instituto que subitamente virou o destino preferido das verbas de prefeituras geridas pelo campo bolsonarista, que jorraram outros tantos milhões em contratos que dispensam qualquer esforço de explicitação.
O CORREIO NACIONAL reforça, assim, o seu compromisso com a exatidão: não erramos dia 15. Apenas assistimos, em tempo real, ao encontro marcado entre a moralidade de fachada e as planilhas bancárias do mundo real.
Com tempero de Hollywood e acabamento de pastelão brasiliense, consórcio golpista uniu espionagem internacional, laudo sob encomenda e vaza-jato globalista para tentar implodir o pleito e arrancar o magistrado da cena política.
BRASÍLIA — O que se desenhava como uma pretensa cruzada pela transparência institucional foi desmascarado como uma operação criminosa de guerra híbrida. Investigações de bastidor revelam que o ministro Alexandre de Moraes foi o alvo central de uma armação engendrada por uma verdadeira quadrilha transnacional: agentes da CIA, um perito técnico de moral flexível e uma repórter do Grupo Globo. O consórcio fabricou uma perícia completamente falsa, recheada de dados manipulados e laudos encomendados, com o objetivo explícito de criar o caos na Suprema Corte, emparedar o magistrado e desestabilizar as eleições brasileiras.
A trama, que faria qualquer roteirista de suspense barato babar de inveja, escancara até onde vai o desespero quando o objetivo é melar o jogo democrático. A engenharia da farsa funcionava em perfeita divisão de trabalho: a agência norte-americana forneceu o arcabouço tecnológico e a orientação geopolítica; o perito “alugado” assinou a fraude com o carimbo de autoridade técnica; e a repórter encarregou-se de dar o ar de escândalo urgente na tela da maior rede de televisão do país.
O cinismo da operação reside justamente no uso do jornalismo e da perícia técnica como armas de arremesso. A dita “prova cabal” que supostamente incriminava Moraes não passava de uma montagem grosseira, um Frankenstein digital gerado para virar manchete de última hora e pauta no horário nobre. O timing, claro, não foi obra do acaso: a bomba com pavio curto foi solta exatamente na reta final do período eleitoral, desenhada sob medida para alimentar a claque das redes sociais e dar pretexto para pedidos de impeachment e anulação do pleito.
Enquanto a grande mídia fingia consternação e cobrava explicações do ministro, o bastidor da farsa ruiu pela própria pressa dos executores. O consórcio subestimou a capacidade de checagem do próprio Supremo e a amadorística contradição do laudo pericial, que evaporou ao menor sinal de auditoria independente. A repórter, que sonhava com o Prêmio Pulitzer por derrubar um ministro do STF, e o perito, que já contava os dividendos do serviço prestado, viram o enredo ruir em tempo recorde.
CONCLUINDO,
a tentativa de usar a infraestrutura da espionagem americana combinada com o sensacionalismo da vênus platinada revelou-se um tiro no pé de proporções épicas. Moraes, que deveria figurar como o grande vilão abatido pela “moralidade”, sai da emboscada como a vítima inequívoca de um complô internacional de quinta categoria.
A quadrilha que se juntou para interferir na soberania popular e nas urnas do país descobre agora o preço de operar fraudes tão transparentes. Resta saber se os envolvidos — da inteligência estrangeira à redação de TV — prestarão seus depoimentos em português ou se precisarão de tradução simultânea quando a conta jurídica do golpe fracassado chegar.
Resgatado do Direito Romano para proteger o acusado na dúvida, o secular princípio expõe o absurdo das ilações na Suprema Corte: enquanto se tenta incinerar Moraes com mensagens ambíguas, os rastros de R$ 5 milhões em propina e bilhões sangrados da previdência pública por Daniel Vorcaro apontam sem escalas para o ecossistema político de André Mendonça.
BRASÍLIA — No alicerce da civilização jurídica ocidental impera a máxima romana in dubio pro reo — formulada para garantir que, diante do impasse ou da dúvida razoável, a decisão penda invariavelmente em favor do acusado. O conceito, gestado no Digesto de Justiniano como pilar contra o arbítrio estatal, parece ter sido sumariamente soterrado na Praça dos Três Poderes. Na tentativa desesperada de emparelhar a sigla “A.M.” ao nome do ministro Alexandre de Moraes em supostas menções colhidas nas apurações sobre o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, a claque acusadora finge ignorar a hermenêutica mais elementar e os fatos materiais: toda a teia financeira, partidária e ideológica do escândalo gravita, na realidade, no entorno do ministro André Mendonça.
A aplicação apressada da sigla “A.M.” a Moraes desafia não apenas a lógica processual, mas a própria gravidade dos fatos. Do ponto de vista histórico, o princípio do in dubio pro reo surge no Direito Romano justamente para impedir que ilações, suposições ou narrativas encomendadas condenem um cidadão sem a certeza absoluta do delito. Transferido para o xadrez do STF, o benefício da dúvida — associado ao rigor dos indícios — torna a acusação a Moraes um exercício de pura acrobacia contorcionista.
Afinal, as conexões de Daniel Vorcaro e do combalido Banco Master não cruzam os caminhos da ala progressista ou institucional da Corte, mas sim a espinha dorsal do bolsonarismo. O próprio Vorcaro admitiu em tratativas de delação premiada que os R$ 5 milhões irrigados nas eleições de 2022 para as campanhas de Jair Bolsonaro (PL) e Tarcísio de Freitas (Republicanos) não passaram de propina disfarçada. Não há mistério: o dinheiro erguido às custas da derrocada financeira de aposentados encontrou abrigo direto no ninho político que alçou André Mendonça à Suprema Corte sob o carimbo de “terrivelmente evangélico”.
Para além das doações diretas de campanha, o mapa do sangramento dos fundos de previdência estaduais e municipais (RPPS) alocados nas letras financeiras do Banco Master desenha uma geografia partidária cristalina. Dinheiro limpo de servidores e aposentados foi empurrado para o “fundo podre” da instituição sob a regência de governadores e prefeitos intrinsecamente ligados ao grupo político de Mendonça:
Governo do Rio de Janeiro (Cláudio Castro – PL): R$ 970 milhões do Rioprevidência aplicados no fundo podre.
Governo do Amazonas (Wilson Lima – União Brasil): R$ 50 milhões do fundo estadual transferidos ao Master.
Prefeitura de São Roque/SP (Guto Issa – PSD): R$ 93,15 milhões comprometidos.
Prefeitura de Cajamar/SP (Danilo Joan / Kauan Berto – PSD): R$ 87 milhões de recursos previdenciários.
Prefeitura de Araras/SP (Irineu Marretto – PSD): R$ 29 milhões aplicados.
Prefeitura de Aparecida de Goiânia/GO: R$ 40 milhões em ativos do banco.
Prefeitura de Santa Rita d’Oeste/SP (Osmarzinho – PL): R$ 2 milhões injetados na instituição.
CONCLUINDO,
ao confrontar o brocardo romano com a crueza dos números, a tentativa de colar a rubrica “A.M.” na túnica de Alexandre de Moraes expõe o cinismo de uma narrativa fabricada sob medida.
Se o princípio secular manda buscar a verdade real e proteger o acusado contra a dúvida fabricada, a matemática do escândalo aponta o dedo na direção oposta. Entre doações milionárias à extrema-direita e o saque sistemático à previdência promovido por aliados, a única sigla que guarda nexo de causalidade com o ecossistema do Banco Master atende pelo nome de André Mendonça. O resto é apenas fumaça lançada para proteger os verdadeiros padrinhos do banquete.
Análise das investigações do escândalo do Banco MasterEsta reportagem detalha as apurações da Polícia Federal sobre o escândalo do Banco Master e os desdobramentos das doações de campanha vinculadas ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
O JULGAMENTO DO STF SE VIROU CONTRA O ACAUSADOR QUE FOI ESMAGADO NO PLENÁRIO “Pichuleco político e mafioso”, teve de escutar do decano.
O que era para ser o dia do juízo final para Alexandre de Moraes transformou-se em um melancólico espelho para André Mendonça, emparedado pelo decano Gilmar Mendes sob acusações de pragmatismo eleitoreiro, blindagem a pares e métodos dignos do crime organizado.
BRASÍLIA — O feitiço, como de costume na Praça dos Três Poderes, levou exatamente cinco minutos para virar contra o feiticeiro. Na tarde desta terça-feira (15 de setembro), a sessão do Supremo Tribunal Federal que prometia colocar o ministro Alexandre de Moraes na guilhotina institucional tomou um rumo tragicômico. O ministro André Mendonça, que vestia a armadura de justiceiro e promotor da moralidade, viu sua toga ser sumariamente despida na frente do plenário: em uma investida demolidora comandada pelo decano Gilmar Mendes, Mendonça deixou a banca de acusador para sentar-se confortavelmente no banco dos réus morais da Corte.
O enredo tinha tudo para ser um espetáculo perfeito para a claque das redes sociais. Mendonça entrou em campo disposto a fuzilar a atuação de Moraes, mas esqueceu-se da regra básica do xadrez brasiliense: nunca subestime a capacidade do decano de converter um ataque em uma autópsia ao vivo.
Com a acidez diplomática que lhe é peculiar, Gilmar Mendes não apenas desarmou o colega, como classificou a performance de Mendonça como uma atitude ostensivamente criminosa — apelidando a manobra de mero “pichuleco eleitoral com prática mafiosa”.
A ironia da cena beira o refinamento cinematográfico. Enquanto Mendonça tentava colocar o país e a República em transe na tentativa de capitalizar politicamente e construir palanque para a sua cruzada, viu expostas no telão as vísceras das suas próprias seletividades. Segundo o decano, o ardor moralizador de Mendonça ganha contornos de pura comédia quando comparado ao silêncio obsequioso que mantém para acobertar seus próprios aliados de bancada.
Mendes não economizou na munição e trouxe à tona o incômodo fantasma que ronda o ministro Nunes Marques — cujo filho foi arrastado para as manchetes por recebimentos ligados ao grupo Master/Vorcaro. O enredo, portanto, escancarou a dupla moral do acusador: a fúria implacável reservada aos adversários contrasta harmoniosamente com o manto de proteção estendido aos parças de toga.
CONCLUSÃO
No encerramento deste primeiro ato, o cenário que se desenha no STF é quase poético em sua degradação. Quem esperava ver a cabeça de Alexandre de Moraes servir de troféu para a sanha eleitoral assistiu a um André Mendonça encurralado, colhendo o vexame de ter seu denodo institucional desmascarado como chantagem barata.
O julgamento, que nascia para discutir os limites do poder de um ministro, termina com o país assistindo a mais um capítulo da tradicional ópera do “Ministro do teto de vidro”: um teatro onde a moralidade de Mendonça é apenas um figurino de ocasião e a justiça, um detalhe secundário diante dos projetos pessoais de poder.
“Ameaçada de cassação de concessão pelo bolsonarismo durante quatro anos, a TV Globo agora afaga André Mendonça no altar da imparcialidade para criar um ‘novo Moro’.”
A memória da grande mídia brasileira é tão curta quanto os seus interesses editoriais são pragmáticos. Durante o mandato de Jair Bolsonaro, a Família Marinho e a TV Globo foram alvo constante do ódio do Palácio do Planalto, convivendo com ameaças abertas de não renovação da concessão de TV e discursos incitadores de violência contra seus jornalistas. Hoje, contudo, assistimos a um espetáculo constrangedor de contorcionismo editorial: a mesma emissora trabalha para transformar André Mendonça em uma figura ilibada.
Para quem acompanhou a ascensão e queda da Operação Lava Jato, o filme é repetido e enfadonho. Assim como transformaram Sergio Moro em um “santo de pau oco” — ignorando suas ilegalidades até que o estrago ao devido processo legal fosse irreversível —, os veículos da Globo parecem ter assinado um pacto de conveniência com o projeto político de Flávio Bolsonaro.
A cobertura leniente em relação a André Mendonça passa pano de forma escandalosa para os seus abusos no caso do Banco Master. As manchetes passam ao largo das denúncias de vazamento seletivo e ignoram a gravidade dos seus encontros com advogados do banco falido e com o próprio marginal. Tratam a atuação ativista de um ministro do STF como se fosse mero “rigor republicano”. Enquanto isso demonizam o fato de o Ministro Alexandre de Moraes ter lido o contrato de sua esposa com o Banco Master. – Mas ele não deveria ler, inclusive para saber qual o tipo de atuação e os termos que a esposa se comprometeria? Acaso não é comum familiares dos Ministros advogarem? O que se deve perguntar é o seguinte: Alexandre de Moraes tomou alguma decisão como ministro do STF que beneficiou o marginal ligado à família Bolsonaro? Ao que se tem provado até agora não. Ao contrário do Ministro André Mendonça que direcionou colhimento de provas contra o próprio Moraes e o filho do Presidente Lula e vazou influenciando diretamente nas eleições. Mas e as provas juntadas por Mendonça sobre possível comunicação entre Moraes e Vorcaro? Pois é, como saber se não é mais uma manobra ou manipulação do Ministro André Mendonça, ora, uma vez que ele claramente pinçou tudo o que pudesse incriminar ou gerar a sensação de proximidade de Moraes e Vorcaro, como saber até onde foi sua sanha por promover a corrupção do devido processo legal. Caso o cidadão comum não saiba, quem tem um pouco mais de conhecimento jurídico, sabe que há um rito legal para custodiar as provas de qualquer processo; rito este que foi corrompido de forma criminosa por André Mendonça. Afinal, por que ele não vazou os contratos da família de todos os Ministro com o chamado pelo bolsonaristas de “Dani” Vorcaro?
Vejamos os números que foram aventados na mídia e acobertados pelo Ministro Terrivelmente Parcial:
Dias Toffoli (Irmão e Sobrinho) O caso envolvendo Toffoli orbita ao redor da venda oculta da participação da família no resort de luxo Tayayá, localizado em Ribeirão Claro (PR)
A transação imobiliária:
R$ 35 milhões: Montante movimentado por fundos de investimento ligados a Daniel Vorcaro para aportar no resort de luxo. Extratos mostram que o cunhado e operador de Vorcaro, o pastor Fabiano Zettel, injetou os recursos simultaneamente ao período em que se costurava a entrada na sociedade com a família do ministro.
R$ 3,3 milhões: Valor nominal das cotas societárias da empresa Maridt Participações S.A. compradas pelo fundo de Vorcaro (FIP Arleen).
R$ 150: Capital social total oficialmente declarado da Maridt Participações S.A.. O ministro não aparece formalmente no quadro da Junta Comercial do Estado de São Paulo, mas a empresa é gerida e de propriedade de seu irmão, José Eugênio Dias Toffoli, e de seu sobrinho, Igor Pires Toffoli. O empreendimento total do resort é avaliado em mais de R$ 200 milhões.
Kassio Nunes Marques (Filho)
As suspeitas apontam para o uso de empresas de consultoria como intermediárias de pagamentos a parentes de magistrados.
R$ 281,6 mil: Repasse rastreado pelo Coaf feito por essa mesma consultoria (Consult Inteligência) diretamente para o escritório de advocacia de Kevin Marques, filho do ministro Nunes Marques. O Coaf levantou a suspeita de que a consultoria atuava como uma “conta de passagem” para ocultar a origem formal dos repasses. O filho do ministro declarou que o valor recebido refere-se a serviços lícitos de assessoria jurídica na esfera do fisco administrativo.
Repasses via Consultoria:
R$ 6,6 milhões: Valor enviado pelo Banco Master de Daniel Vorcaro, dividido em 14 operações (entre o final de 2024 e meados de 2025), para a empresa Consult Inteligência. No mesmo período, a consultoria também recebeu R$ 11,3 milhões da JBS, somando um caixa de R$ 18 milhões. O Santo de Pau Oco tem dois pesos e duas medidas: enquanto inocentou aprioristicamente o antipetista da Bahia ACM Filho que recebeu R$ 3 milhões de Daniel Vorcaro para fazer lobby para o banqueiro junto a autoridades políticas. Já no caso envolvendo o filho de Lula, uma das primeiras ações de André Mendonça foi determinar a devassa na vida do denominado publicamente “Lulinha” para tentar atrelá-lo ao conhecido “Careca do INSS” – corrupto que montou um esquema bilionário de roubo de dinheiro público no Governo Bolsonaro; Mendonça inclusive tirou o sigilo bancário de Lulinha e não encontrou nada. Não satisfeito o Ministro Cabo Eleitoral determinou então abertura de processo por tráfico de influência alegando que Roberta Luchsinger havia tentado (mas não conseguido) fazer lobby para liberação de medicamentos junto à presidência da república. Quando vemos as provas, só vemos a tal Roberta Luchsinger tentando usar o nome de Lulinha para superar a burocracia e conseguir a aprovação – o que não conseguiu. Já ACM Neto fazendo lobby não seria nada, seria um ato normal não tipificado como crime no Brasil. E o filho do Bolsonaro que foi flagrado pedindo R$ 134 milhões a Daniel Vorcaro depois que todos já sabiam que ele era um dos maiores ladrões da república? Este até hoje tem sido protegido pelo novo “Sérgio Moro” da República.
Honestamente, qual dos dois filhos mereceria uma investigação mais aprofundada? Qual deles tem mais evidências de estar cometendo crime? O filho de Lula que não conseguiu seu intento junto à presidência da república ou o filho Flávio Bolsonaro flagrado fazendo a rachadona de R$ 134 milhões do dinheiro roubado dos aposentados? Por que André Mendonça não quebra o sigilo bancário e torna público de Flávio Bolsonaro? Por que não investiga o dinheiro recebido por Flávio Bolsonaro da rachadona dele com Daniel Vorcaro – o ladrão de aposentados? Alguém tem dúvida por quê?
A razão para essa “Síndrome de Estocolmo editorial” é cristalina: o interesse do capital financeiro e o pragmatismo político. A reabilitação de Mendonça serve perfeitamente ao propósito de desgastar o atual governo e manter o controle da pauta sobre o Judiciário. Os Marinho demonstram que, para salvar a agenda econômica e manter a influência nos bastidores de Brasília, estão dispostos a abraçar os mesmos nomes que, até ontem, pediam a cabeça de seus repórteres e o fim de sua emissora. Mendonça é o novo santo de barro esculpido no Projac. E a história, impiedosa como é, já sabe como essa estátua vai ruir.
“Se atuasse na Europa ou nos Estados Unidos, as condutas de Mendonça — do uso da LSN contra críticos à parcialidade judicial — levariam a impeachment sumário, cassação de licença e processo criminal.”
Advogado da Tirania: A Herança de Mendonça na MJSP e o Que a Legislação Global Diz sobre um Juiz Militante
André Luiz Mendonça junto do presidente Jair Bolsonaro. Foto: Agência Brasil - "Militância de Estado: os métodos que Mendonça usou no Executivo agora mancham a Suprema Corte brasileira."
Para compreender o comportamento do “terrivelmente evangélico” no STF, basta folhear seu histórico como Ministro da Justiça do governo Jair Bolsonaro. Não se trata de um jurista surpreendido por desvios pontuais, mas de um operador político treinado para transformar o aparelho estatal e legal em uma máquina de perseguição ideológica e blindagem de aliados.
À frente do Ministério da Justiça, Mendonça vulgarizou o uso da finada Lei de Segurança Nacional (LSN). Sob seu comando, a Polícia Federal foi convertida em polícia política para perseguir professores, advogados, cartunistas e jornalistas cujo único “crime” era criticar o então presidente. Além disso, foi o braço forte na tentativa de instrumentalizar relatórios da Secretaria de Operações Integradas (Seoppi) para monitorar antifascistas.
A pergunta inevitável é: o que aconteceria a um juiz ou autoridade com esse histórico em democracias consolidadas?
Na Legislação Europeia (União Europeia e Reino Unido): Na jurisprudência do Tribunal Europeu dos Direitos Humanos (TEDH), a conduta de Mendonça violaria frontalmente o Artigo 6º da Convenção Europeia de Direitos Humanos (Direito a um Julgamento Justo/Garantia de Imparcialidade). Na Alemanha ou na França, a requisição de provas sigilosas para alavancar ataques políticos contra outros magistrados configuraria Prevaricação (Rechtsbeugung, no código alemão, § 339) e Abuso de Autoridade, resultando na remoção compulsória do cargo (Impeachment/Disciplinary Removal) e em pena de prisão que varia de 1 a 5 anos.
Na Legislação dos Estados Unidos: Nos EUA, sob o Título 28 do Código Americano (§ 455), um juiz federal que mantivesse reuniões informais com investigados e demonstrasse evidente viés político seria obrigado a se declarar suspeito (recusal). A recusa deliberada e o vazamento seletivo de provas sigilosas configurariam Obstrução da Justiça (18 U.S.C. § 1503) e Violations of Judicial Canons (Código de Conduta para Juízes dos EUA). O comitê do Judiciário da Câmara dos Deputados instauraria imediatamente um processo de Impeachment, culminando em sua destituição pelo Senado, além do banimento definitivo do exercício do Direito pela Bar Association.
No Brasil, contudo, a toga continua servindo de escudo para a maquiagem política. Embora os militares tenham deixado uma excelente oportunidade jurídica para que os democratas usando o expedientes de enviesar de forma conveniente as leis possam usar as mesmas artimanhas fascistas e aplicar o código militar para enquadrar Mendonça e os filhos de Bolsonaro como Lesas-pátrias .
Livro II – Dos Crimes Militares em Tempo de Guerra
Título I – Do Favorecimento ao Inimigo
Capítulo I – Da Traição
O Art. 355 estabelece pena de morte (grau máximo) ou reclusão de vinte anos (grau mínimo) para o nacional que tomar armas contra o Brasil ou prestar serviço a forças armadas inimigas.
Ora, há de fato uma “guerra comercial” e uma “guerra contra a democracia brasileiro – com o apoio de agentes internos (os Bolsonaros e infiltrados com André Mendonça). Sob o pretexto do não-funcionamento do sistema de justiça brasileiro e da corrupção da Suprema Corte Brasileira estrangeiros tentam coagir juízes e reverter condenações que de fato buscam blindar nossa democracia do lixo ditatorial; ao expor de forma pinçada e direcionada o juiz que condenou agentes políticos que chegaram a planejar o assassinato do próprio juiz e do vice e do presidente, André Mendonça forma se alinha ao golpismo e coloca sua paixão política acima dos interesses nacionais. Para o bem do Brasil tanto ele quanto seu antecessor Sérgio Moro deveria apodrecer atrás das grades, onde por clemência, Lula reeleito e eles condenados, o prosidente convertesse a condenação à morte em prisão perpétua; assim, de início desistiria aquele outro desprovido de ética que futuramente se arvorasse a usar a liberdade sagrada da democracia para intentar contra a nação brasileira.
André Mendonça e Jair Bolsonaro – foto de Evaristo Sá – AFP – Reprodução
“Ao mesmo tempo em que tranca dados sensíveis de corruptores em um ‘cofre’ pessoal no STF, o ex-advogado do bolsonarismo opera a metralhadora de vazamentos para triturar adversários e salvar o clã Bolsonaro.”
O hábito não faz o monge, tampouco a toga garante a imparcialidade de quem veste a camisa de um projeto político autoritário. A condução da relatoria do Banco Master pelo ministro André Mendonça no Supremo Tribunal Federal ultrapassou a fronteira da aberração jurídica para se consagrar como um escândalo institucional explícito. Entre idas ao alfaiate com lobistas de empresários investigados e o vazamento seletivo de dados que miram alvos estratégicos, o magistrado “terrivelmente evangélico” converteu seu gabinete em um bunker de guerra eleitoral.
Investigações da Polícia Federal revelaram que, antes mesmo de abocanhar a relatoria do escândalo do Banco Master, André Mendonça mantinha encontros secretos com o empresário Daniel Vorcaro. Mensagens interceptadas revelam diálogos estarrecedores sobre “fazer terno no alfaiate” e “deixar o ministro balançado” para defender os interesses da instituição financeira falida no Banco Central.
Quando a bomba estourou e o processo aportou em suas mãos, o modus operandi mudou do diálogo cordial para a chantagem institucional. Mendonça exigiu a cópia do material bruto do celular de Vorcaro. Em vez de atuar como o juiz garantista que alega ser, encarnou o acusador: usou a apuração para garimpar mencões a Alexandre de Moraes e Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, vazando cirurgicamente peças para desgastar a imagem do Judiciário e do Governo Federal.
Enquanto isso, de maneira cinicamente conveniente, os inquéritos e indícios que tocam as finanças obscuras do senador Flávio Bolsonaro repousam sob um véu de absoluto esquecimento e blindagem. Quando a Polícia Federal aponta as vísceras do esquema Master, Mendonça afirma que os dados “estão trancados em um cofre” em seu gabinete. Um cofre bastante seletivo, diga-se de passagem: só abre para vazar o que interessa à campanha eleitoral do bolsonarismo.
Foto: Rosinei Coutinho/STF
A gravidade da conduta de André Mendonça atinge o ponto de ilicitude penal e insanidade processual quando o ministro decide sequestrar o material probatório para o “cofre” do seu próprio gabinete. Ao usurpar a competência da Polícia Federal e do Ministério Público, chamando para si o controle exclusivo e privado dos dados brutos extraídos do celular do empresário Daniel Vorcaro, Mendonça promoveu uma apavorante quebra da cadeia de custódia das provas (tipificada ostensivamente nos artigos 158-A a 158-F do Código de Processo Penal).
O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, registrou, no início da sessão plenária desta quarta-feira (17), que o ministro André Mendonça completou quatro anos de atuação na Corte. “É um momento para se referir a uma trajetória dedicada ao direito e à Justiça”, afirmou Fachin. Ele destacou a ampla experiência profissional de Mendonça, que atuou na advocacia privada e pública, chefiou a Advocacia-Geral da União (AGU) por duas vezes e exerceu o cargo de ministro da Justiça e Segurança Pública.
Em sua manifestação, Fachin mencionou algumas decisões de destaque relatadas por André Mendonça, que, segundo o presidente, simbolizam o comprometimento do ministro com o trabalho desafiador desenvolvido no Tribunal. Entre os processos está a Ação Direta de Inconstitucionalidade por Omissão (ADO) 63, em que o STF reconheceu a omissão do Congresso Nacional em aprovar uma lei específica para proteger o Pantanal Mato-grossense.
O ministro homenageado também relatou a Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 5894, em que o Plenário considerou válida a regra do Código de Processo Civil (CPC) que permite a homologação da partilha de bens e direitos da pessoa falecida, mesmo sem a quitação do Imposto de Transmissão Causa Mortis e Doação (ITCMD). Já na Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 7331, em que Mendonça redigiu o acórdão, o STF declarou válidas as restrições previstas na Lei das Estatais impostas às indicações políticas para cargos na diretoria e conselhos de administração.
O presidente do STF destacou que essas decisões prestigiam a proteção do meio ambiente, a duração razoável do processo, a resolução conciliada de conflitos e a probidade administrativa.
Homenageado
Ao agradecer a homenagem, o ministro André Mendonça disse que ela é fruto também de uma relação de amizade, carinho e respeito mútuos. Ele acrescentou que seu compromisso, apesar das próprias limitações, é com o trabalho colegiado, pautado pela busca constante de conhecimento e aprendizado recíprocos.