CORREIO NACIONAL (.ORG)
Sessão de 15 de Setembro
O JULGAMENTO DO STF SE VIROU CONTRA O ACAUSADOR QUE FOI ESMAGADO NO PLENÁRIO “Pichuleco político e mafioso”, teve de escutar do decano.
O que era para ser o dia do juízo final para Alexandre de Moraes transformou-se em um melancólico espelho para André Mendonça, emparedado pelo decano Gilmar Mendes sob acusações de pragmatismo eleitoreiro, blindagem a pares e métodos dignos do crime organizado.

BRASÍLIA — O feitiço, como de costume na Praça dos Três Poderes, levou exatamente cinco minutos para virar contra o feiticeiro. Na tarde desta terça-feira (15 de setembro), a sessão do Supremo Tribunal Federal que prometia colocar o ministro Alexandre de Moraes na guilhotina institucional tomou um rumo tragicômico. O ministro André Mendonça, que vestia a armadura de justiceiro e promotor da moralidade, viu sua toga ser sumariamente despida na frente do plenário: em uma investida demolidora comandada pelo decano Gilmar Mendes, Mendonça deixou a banca de acusador para sentar-se confortavelmente no banco dos réus morais da Corte.
O enredo tinha tudo para ser um espetáculo perfeito para a claque das redes sociais. Mendonça entrou em campo disposto a fuzilar a atuação de Moraes, mas esqueceu-se da regra básica do xadrez brasiliense: nunca subestime a capacidade do decano de converter um ataque em uma autópsia ao vivo.
Com a acidez diplomática que lhe é peculiar, Gilmar Mendes não apenas desarmou o colega, como classificou a performance de Mendonça como uma atitude ostensivamente criminosa — apelidando a manobra de mero “pichuleco eleitoral com prática mafiosa”.
A ironia da cena beira o refinamento cinematográfico. Enquanto Mendonça tentava colocar o país e a República em transe na tentativa de capitalizar politicamente e construir palanque para a sua cruzada, viu expostas no telão as vísceras das suas próprias seletividades. Segundo o decano, o ardor moralizador de Mendonça ganha contornos de pura comédia quando comparado ao silêncio obsequioso que mantém para acobertar seus próprios aliados de bancada.
Mendes não economizou na munição e trouxe à tona o incômodo fantasma que ronda o ministro Nunes Marques — cujo filho foi arrastado para as manchetes por recebimentos ligados ao grupo Master/Vorcaro. O enredo, portanto, escancarou a dupla moral do acusador: a fúria implacável reservada aos adversários contrasta harmoniosamente com o manto de proteção estendido aos parças de toga.
CONCLUSÃO
No encerramento deste primeiro ato, o cenário que se desenha no STF é quase poético em sua degradação. Quem esperava ver a cabeça de Alexandre de Moraes servir de troféu para a sanha eleitoral assistiu a um André Mendonça encurralado, colhendo o vexame de ter seu denodo institucional desmascarado como chantagem barata.
O julgamento, que nascia para discutir os limites do poder de um ministro, termina com o país assistindo a mais um capítulo da tradicional ópera do “Ministro do teto de vidro”: um teatro onde a moralidade de Mendonça é apenas um figurino de ocasião e a justiça, um detalhe secundário diante dos projetos pessoais de poder.
Heren Low 2026



