“Ameaçada de cassação de concessão pelo bolsonarismo durante quatro anos, a TV Globo agora afaga André Mendonça no altar da imparcialidade para criar um ‘novo Moro’.”

A memória da grande mídia brasileira é tão curta quanto os seus interesses editoriais são pragmáticos. Durante o mandato de Jair Bolsonaro, a Família Marinho e a TV Globo foram alvo constante do ódio do Palácio do Planalto, convivendo com ameaças abertas de não renovação da concessão de TV e discursos incitadores de violência contra seus jornalistas. Hoje, contudo, assistimos a um espetáculo constrangedor de contorcionismo editorial: a mesma emissora trabalha para transformar André Mendonça em uma figura ilibada.
Para quem acompanhou a ascensão e queda da Operação Lava Jato, o filme é repetido e enfadonho. Assim como transformaram Sergio Moro em um “santo de pau oco” — ignorando suas ilegalidades até que o estrago ao devido processo legal fosse irreversível —, os veículos da Globo parecem ter assinado um pacto de conveniência com o projeto político de Flávio Bolsonaro.
A cobertura leniente em relação a André Mendonça passa pano de forma escandalosa para os seus abusos no caso do Banco Master. As manchetes passam ao largo das denúncias de vazamento seletivo e ignoram a gravidade dos seus encontros com advogados do banco falido e com o próprio marginal. Tratam a atuação ativista de um ministro do STF como se fosse mero “rigor republicano”. Enquanto isso demonizam o fato de o Ministro Alexandre de Moraes ter lido o contrato de sua esposa com o Banco Master. – Mas ele não deveria ler, inclusive para saber qual o tipo de atuação e os termos que a esposa se comprometeria? Acaso não é comum familiares dos Ministros advogarem? O que se deve perguntar é o seguinte: Alexandre de Moraes tomou alguma decisão como ministro do STF que beneficiou o marginal ligado à família Bolsonaro? Ao que se tem provado até agora não. Ao contrário do Ministro André Mendonça que direcionou colhimento de provas contra o próprio Moraes e o filho do Presidente Lula e vazou influenciando diretamente nas eleições.
Mas e as provas juntadas por Mendonça sobre possível comunicação entre Moraes e Vorcaro? Pois é, como saber se não é mais uma manobra ou manipulação do Ministro André Mendonça, ora, uma vez que ele claramente pinçou tudo o que pudesse incriminar ou gerar a sensação de proximidade de Moraes e Vorcaro, como saber até onde foi sua sanha por promover a corrupção do devido processo legal. Caso o cidadão comum não saiba, quem tem um pouco mais de conhecimento jurídico, sabe que há um rito legal para custodiar as provas de qualquer processo; rito este que foi corrompido de forma criminosa por André Mendonça. Afinal, por que ele não vazou os contratos da família de todos os Ministro com o chamado pelo bolsonaristas de “Dani” Vorcaro?
Vejamos os números que foram aventados na mídia e acobertados pelo Ministro Terrivelmente Parcial:
Dias Toffoli (Irmão e Sobrinho)
O caso envolvendo Toffoli orbita ao redor da venda oculta da participação da família no resort de luxo Tayayá, localizado em Ribeirão Claro (PR)
- A transação imobiliária:
- R$ 35 milhões: Montante movimentado por fundos de investimento ligados a Daniel Vorcaro para aportar no resort de luxo. Extratos mostram que o cunhado e operador de Vorcaro, o pastor Fabiano Zettel, injetou os recursos simultaneamente ao período em que se costurava a entrada na sociedade com a família do ministro.
- R$ 3,3 milhões: Valor nominal das cotas societárias da empresa Maridt Participações S.A. compradas pelo fundo de Vorcaro (FIP Arleen).
- R$ 150: Capital social total oficialmente declarado da Maridt Participações S.A.. O ministro não aparece formalmente no quadro da Junta Comercial do Estado de São Paulo, mas a empresa é gerida e de propriedade de seu irmão, José Eugênio Dias Toffoli, e de seu sobrinho, Igor Pires Toffoli. O empreendimento total do resort é avaliado em mais de R$ 200 milhões.
Kassio Nunes Marques (Filho)
As suspeitas apontam para o uso de empresas de consultoria como intermediárias de pagamentos a parentes de magistrados.
R$ 281,6 mil: Repasse rastreado pelo Coaf feito por essa mesma consultoria (Consult Inteligência) diretamente para o escritório de advocacia de Kevin Marques, filho do ministro Nunes Marques. O Coaf levantou a suspeita de que a consultoria atuava como uma “conta de passagem” para ocultar a origem formal dos repasses. O filho do ministro declarou que o valor recebido refere-se a serviços lícitos de assessoria jurídica na esfera do fisco administrativo.
Repasses via Consultoria:
R$ 6,6 milhões: Valor enviado pelo Banco Master de Daniel Vorcaro, dividido em 14 operações (entre o final de 2024 e meados de 2025), para a empresa Consult Inteligência. No mesmo período, a consultoria também recebeu R$ 11,3 milhões da JBS, somando um caixa de R$ 18 milhões.
O Santo de Pau Oco tem dois pesos e duas medidas: enquanto inocentou aprioristicamente o antipetista da Bahia ACM Filho que recebeu R$ 3 milhões de Daniel Vorcaro para fazer lobby para o banqueiro junto a autoridades políticas. Já no caso envolvendo o filho de Lula, uma das primeiras ações de André Mendonça foi determinar a devassa na vida do denominado publicamente “Lulinha” para tentar atrelá-lo ao conhecido “Careca do INSS” – corrupto que montou um esquema bilionário de roubo de dinheiro público no Governo Bolsonaro; Mendonça inclusive tirou o sigilo bancário de Lulinha e não encontrou nada. Não satisfeito o Ministro Cabo Eleitoral determinou então abertura de processo por tráfico de influência alegando que Roberta Luchsinger havia tentado (mas não conseguido) fazer lobby para liberação de medicamentos junto à presidência da república. Quando vemos as provas, só vemos a tal Roberta Luchsinger tentando usar o nome de Lulinha para superar a burocracia e conseguir a aprovação – o que não conseguiu. Já ACM Neto fazendo lobby não seria nada, seria um ato normal não tipificado como crime no Brasil.
E o filho do Bolsonaro que foi flagrado pedindo R$ 134 milhões a Daniel Vorcaro depois que todos já sabiam que ele era um dos maiores ladrões da república? Este até hoje tem sido protegido pelo novo “Sérgio Moro” da República.
Honestamente, qual dos dois filhos mereceria uma investigação mais aprofundada? Qual deles tem mais evidências de estar cometendo crime? O filho de Lula que não conseguiu seu intento junto à presidência da república ou o filho Flávio Bolsonaro flagrado fazendo a rachadona de R$ 134 milhões do dinheiro roubado dos aposentados? Por que André Mendonça não quebra o sigilo bancário e torna público de Flávio Bolsonaro? Por que não investiga o dinheiro recebido por Flávio Bolsonaro da rachadona dele com Daniel Vorcaro – o ladrão de aposentados?
Alguém tem dúvida por quê?
Michelle Bolsonaro pula e faz oração após aprovação de André Mendonça ao STF
A razão para essa “Síndrome de Estocolmo editorial” é cristalina: o interesse do capital financeiro e o pragmatismo político. A reabilitação de Mendonça serve perfeitamente ao propósito de desgastar o atual governo e manter o controle da pauta sobre o Judiciário. Os Marinho demonstram que, para salvar a agenda econômica e manter a influência nos bastidores de Brasília, estão dispostos a abraçar os mesmos nomes que, até ontem, pediam a cabeça de seus repórteres e o fim de sua emissora. Mendonça é o novo santo de barro esculpido no Projac. E a história, impiedosa como é, já sabe como essa estátua vai ruir.
Heren Low BR















